fevereiro 07 2017 0Comment

Manutenção Centrada em Confiabilidade Existe?

Já perdi as contas de quantas vezes eu escutei essa pergunta, e a resposta é bem simples: “sim, existe!”. E deve existir! O papel do setor de manutenção de uma empresa se resume basicamente em garantir e elevar os índices de disponibilidade e confiabilidade.  Por isso, a manutenção deve ser sempre centrada em confiabilidade! 

O problema é que a maioria das empresas não sabem por onde começar. Apenas 6% das empresas estão em um patamar de Classe Mundial, ou seja, apenas 6% das empresas têm os seus níveis de disponibilidade e confiabilidade maior que 85%. A grande maioria dessas 94% estão em uma busca incessável pela Manutenção Centrada em Confiabilidade e pelos índices de Classe Mundial, o problema é que elas estão mirando o “topo” do iceberg, mas esquecem que deve tratar a base do iceberg, aquilo que está embaixo d’água, aquilo que ninguém vê.

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O que quero dizer é que normalmente quando uma empresa decide iniciar um projeto para elevar confiabilidade, há uma série de melhorias a serem feitas em outras áreas também. Eu nunca ouvi falar de uma instalação em que tudo é perfeito e a única coisa que eles precisam fazer é iniciar um programa de confiabilidade para se tornar de classe mundial.

A confiabilidade está ligada a quase todas as outras áreas em uma instalação, e assim, quando uma área está em um ponto baixo, outras áreas também estão sofrendo. Um roteiro simples para buscar os índices desejado é:

Escolha um ponto

Reúna todas as suas melhores pessoas, incluindo as melhores pessoas na produção, manutenção, qualidade e segurança / meio ambiente. Este grupo deve ter vários níveis de técnicos, operadores e de gestão. O grupo deve descobrir as áreas que precisam ser melhoradas. Não me refiro apenas a peças específicas de equipamento, mas a todas as áreas que afetam a confiabilidade, como treinamento, agendamento, peças e ferramentas. A lista pode continuar, mas o ponto é que você precisa ter uma imagem da melhoria potencial para obter alguma direção. A lista de áreas de melhoria precisa ser priorizada para que todos possam entrar na mesma trilha.

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Escolha as ferramentas

Depois de saber o que precisa ser melhorado, você pode decidir sobre as ferramentas que você precisa
para começar a trabalhar. Às vezes, as ferramentas já eResultado de imagem para toolbox illustrationstão na caixa de ferramentas, o que é ótimo. Se as ferramentas não estão na caixa de ferramentas, é hora de comprá-los. Ao comprar ferramentas, você quer comprar as de qualidad
e e não as ferramentas de pechincha-caixa que não vai viver até a tarefa. Algumas das ferramentas incluem análise de falhas de causas raiz (RCFA), manutenção centrada na fiabilidade (RCM), análise de árvore de falhas (FTA), análise de custos de ciclo de vida, etc. As ferramentas também não estão diretamente relacionadas com a fiabilidade. Suas diferentes áreas – planejamento / agendamento, qualidade, serviços de custódia, etc – podem ter um efeito profundo sobre a confiabilidade.

Escolha um facilitador

O facilitador deve ser uma pessoa que está comprometida com o trabalho e os objetivos futuros. Muitas vezes, este título é dado a uma pessoa que já tem alguns títulos, e acaba por ser arquivado às vezes. Isso pode impedir o progresso no avanço de um programa de confiabilidade. O facilitador também precisa ter o poder e a capacidade de fazer mudanças acontecer e influenciar o processo de tomada de decisão. Responsabilidade sem a capacidade é uma receita para o fracasso. O facilitador é normalmente um custo no início, mas com o tempo vai pagar por si mesmo repetidamente.

Há muitas outras coisas que você pode fazer para iniciar um programa de confiabilidade, mas esta é uma ótima maneira de começar.

1 – Montar uma equipe de multiplicadores que seja o front do projeto

O primeiro passo a se tomar em qualquer projeto é definir o mais importante: as pessoas que o conduzirão. Um projeto desse porte deve ser conduzido por um time extremamente alinhado, com características de liderança e persuasão para que possam cativar e incentivar os demais colaboradores a buscar o objetivo comum: Elevar os índices de confiabilidade aos padrões WCR.

A equipe não precisa necessariamente ser composta apenas por pessoas que ocupam cargos de liderança e chefia, mas deve ser composta de pessoas de alta bagagem técnica, comprometidas com metas e que tenham características naturais de um multiplicador, que basicamente são:

  • Educam pelo exemplo;
  • Sabem reduzir a resistência a novas metodologias;
  • Visão holística;
  • Habilidade em ouvir e transmitir mensagens.

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2 – Antes de impor metas, divulgue os ganhos

Nesse passo vamos trabalhar com base na tática de negociação “ganha-ganha”, ou seja, antecipar possíveis questionamentos e conflitos que possam surgir durante a execução do projeto. Essa tática é uma velha conhecida do pessoal comercial e é amplamente usada na administração de conflitos.

Resume-se basicamente no seguinte: Primeiro mostre o que a pessoa pode ganhar, depois diga o que ela tem que fazer.  Esse ato desperta naturalmente o instinto “ambicioso” do ser humano, fazendo que ele pense primeiro nos ganhos e depois nos esforços.

Mensure e divulgue os ganhos tangíveis e diretos, como: produção, faturamento e consequentemente um aumento no PLR, bônus anual ou qualquer outro benefício que esteja relacionado a metas;

Mensure e divulgue os ganhos intangíveis e indiretos, como: melhoria na produtividade, melhor ambiente de trabalho, etc.

3 – Defina as metas

Como estamos abordando pela ótica do setor de manutenção, vamos falar apenas das principais métricas desse setor. Para conseguirmos a confiabilidade integral de um ativo, temos que garantir que o setor de manutenção alcance as metas abaixo:

  • Cumprimento do plano de manutenção preventiva deve ser maior que 90%;
  • Volume de horas extras deve ser menor que 5%;
  • Cumprimento do plano de manutenção preditiva deve ser igual a 100%;
  • Trabalhos realizados com ordem de serviço devem ser igual a 100%;
  • Disponibilidade dos equipamentos deve ser maior que 90%;
  • Produtividade dos equipamentos deve ser maior que 90%;
  • Eficiência Global do Equipamento deve ser maior que 77%.

4 – Faça um benchmarking e ajuste suas metas

Os padrões world class não são  fáceis de se alcançar, mas também não são impossíveis. Se a sua empresa não tem uma cultura de manutenção sólida e bem definida, provavelmente os seus indicadores atuais não são nada animadores. Se estipularmos metas muito distantes do nosso cenário atual, é comum que os coloradores desanimem um pouco no início, então ajuste suas metas!

Faça uma pesquisa em outras empresas do mesmo seguimento e descubra como estão os indicadores de seus concorrentes, com base nesse números va ajustando as suas metas constantemente.

5 – Acompanhe os resultados mês a mês

“O que não se mede, não se gerencia!”

Talvez essa seja a frase mais autêntica dos últimos tempos. Acompanhe a evolução dos índices mês a mês, crie planos de ação para atacar os pontos fracos e identifique oportunidades de melhorias sobre os pontos fortes.

Na medida que os índices evoluírem, ajuste suas metas. Em um curto período você pode sugerir para que todos os envolvidos no projeto olhem para trás, lá no início, para aqueles primeiros gráficos magrinhos e vejam que houve uma evolução e logo eles, perceberão que estão no CAMINHO CERTO!

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6 – Analise as falhas e os modos das falhas (FMEA!)

FMEA (failure mode and effect analysis) é uma ferramenta usada para aumentar a confiabilidade de um certo produto durante a fase de projeto ou processo. A ferramenta consiste basicamente em sistematizar um grupo de atividades para detectar possíveis falhas e avaliar os efeitos das mesmas para o projeto/processo.

Não sabe fazer uma Análise de Falhas?

Clique aqui e aprenda:

Como Fazer uma Análise de Causa Raiz – DMAIC

 

 

7 – Padronização é essencial

Adote um padrão para todas as tarefas, documentos e processos que serão repetitivos no projeto. Isso é fundamental para que evitar erros e também para um trabalho mais dinâmico, já que as pessoas irão se acostumar a seguir os padrões.

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8 – Comunicação é excepcional

A comunicação está entre os principais pontos que precisam de atenção em um projeto, ainda mais um projeto desse porte. Crie canais de comunicação eficientes, encoraje encontros e reuniões e certifique-se constantemente se a informação está sendo disseminada do mesmo modo em diferentes níveis hierárquicos.

10 – TREINE as pessoas

Não existe melhoria de processos sem o desenvolvimento das pessoas. Por isso, monte um cronograma de treinamentos sobre todos os temas pertinentes ao projeto e certifique-se que depois de treinadas as pessoas realmente desenvolveram a habilidade necessária. Caso contrário, repita o processo com quem tiver mais dificuldade e procure outras didáticas.

É de extrema importância esse passo. Pois ele influência diretamente na motivação das pessoas perante ao projeto. Se alguém não sabe fazer algo e não tem o quem ensine, as chances da tarefa cair na zona da procrastinação é muito grande.

11 – Coloque o PDCA em pratica

A ferramenta PDCA é incrível e traz resultados fantásticos se usada da maneira correta. Tire do papel todos os conceitos que você viu nos livros e sites. Acredite, eles funcionam!

1º Planeje – de acordo com as metas expostas e os recursos estabelecidos;

2º Faça – aquilo que foi planejado;

3º Confira – se o que você fez foi eficaz e encontre pontos de melhoria;

4º Ação! – Atue sobre os pontos de melhoria que você encontrou e os corrija.

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Depois…

REPITA TODOS OS 10 PASSOS ACIMA!

A busca pela Confiabilidade de Classe mundial não é algo fácil e ninguém nunca disse que seria, mas também, NÃO É ALGO IMPOSSÍVEL!

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jhonata

Jhonata é Engenheiro Mecânico e Engenheiro de Produção formado pelo Centro Universitário do Distrito Federal, Técnico em Eletrotécnica e Técnico em Mecânica formado pelo SENAI –Roberto Mange. Atua há 12 anos no setor de manutenção em industrias de grande porte dos seguimentos Alimentício, Higiene e Limpeza, Farmacêutico, Químico, Metalúrgico, Cimenteiro, Açúcar e Álcool, etc. É especialista em Planejamento e Controle de Manutenção, RCM - Manutenção Centrada em Confiabilidade e Lubrificação Industrial com Certificação Internacional MLT-I pelo ICML –International Council of Machinery Lubrication, Analista de Vibração Nível II pela FUPAI. Já atuou como Consultor de Lubrificação, Analista de Vibração, Supervisor de Manutenção Industrial e hoje é Diretor de Engenharia e Negócios da Engeteles e Coordenador de Manutenção em uma industria multinacional fabricante de produtos para automação residencial.