3 Fatores de Sucesso do PCM – Planejamento e Controle da Manutenção

Os 3 Fatores de Sucesso do PCM são os norteadores estratégicos que dão base para estruturação da gestão da manutenção

Entender os 3 fatores de sucesso do PCM pode ser um grande “trunfo” nas mãos do profissional de manutenção. Nesse artigo, você vai conhecer esses 3 fatores para poder aplicá-los, e além disso, vai aprender um pouco mais sobre as principais técnicas relacionadas a gestão da manutenção. Vamos lá.

É de conhecimento de qualquer profissional que atue na área de manutenção, que não basta simplesmente reparar os ativos no momento que eles venham a apresentar alguma falha. Agir desta maneira, totalmente reativa, não é saudável para a operação de uma organização.

Para garantir uma ação efetiva por parte da manutenção, as empresas contam com um setor muito específico, direcionado apenas a gerenciar e controlar as intervenções da manutenção, conhecido como PCM – Planejamento e Controle de Manutenção.

Fica a encargo então do PCM, todo planejamento das intervenções preventivas e preditivas da manutenção, a programação e organização de calendário da manutenção e o controle do desempenho do setor.

O objetivo deste artigo não é explicar em detalhes todas as atribuições do PCM. Se você quer saber mais sobre isso, basta ler esse outro artigo super interessante no link abaixo:

https://engeteles.com.br/pcm-planejamento-e-controle-da-manutencao

 

PCM Planejamento e Controle da Manutenção: Melhores Práticas.

O que é necessário ser entendido, é que existem 3 fatores de sucesso do PCM que precisam ser controlados para que a gestão da manutenção seja realizada de maneira efetiva. Esses fatores são Pessoas, Processos e Ativos.

O decorrer deste artigo tem o objetivo de demonstrar quais são os 3 fatores de sucesso do PCM, e como eles devem ser estruturados para a garantia deste sucesso.

 

1º Fator de Sucesso do PCM - Pessoas

 

O primeiro dos 3 fatores de sucesso do PCM são as pessoas. Um setor de manutenção é composto por pessoas que executam rotinas, então obviamente gerenciar esse recurso é indispensável para obtenção de sucesso no PCM.

As equipes de manutenção irão executar uma série de planos, preencher documentos, zelar pela organização da área e executar funções vitais para administração do setor. Nesse sentido, as pessoas são as próprias engrenagens que movimentam a máquina da manutenção. Gerir esse fator de sucesso do PCM é fundamental.

Quando falamos em gerir pessoas na área de manutenção estamos falando especificamente em escolher as pessoas certas, na quantidade certa, alocadas nas funções certas.

 


# Matriz C.H.A para gestão da competência das pessoas.

 

A matriz C.H.A é uma das ferramentas que auxilia na gestão dos 3 fatores de sucesso do PCM pois permite avaliar as competências das pessoas na execução de cada uma das tarefas do setor, através da análise de seus conhecimentos, habilidades e atitudes.

A ideia é montar uma matriz onde se atribui uma nota para cada tarefa que as pessoas da equipe desempenham com base no seu nível de aptidão ou treinamento. As notas atribuídas geralmente são:

Nota 1 – Iniciante na tarefa.

Nota 2 – Executor “convencional”

Nota 3 – Executor experiente.

Nota 4 – Perito.

Preparamos um vídeo completo para te ensinar a elaborar uma matriz C.H.A. Para assistir, basta clicar no link abaixo:

 


# Dimensionamento de equipe.

 

Dimensionar a equipe de manutenção reforça os 3 fatores de sucesso do PCM pois com uma equipe adequada, nem com gente demais, o que gera ociosidade, nem com gente de menos, o que gera atraso no trabalho e acúmulo de backlog, a força de trabalho da manutenção se torna justo e adequado a necessidade por demanda do setor.

Esse dimensionamento consiste basicamente em:

Estimativa de H.H para manutenção planejada – A manutenção deve possuir um plano bem definido de atividades a serem realizadas dentro de um ano, e com base neste volume de atividades, é possível estimar quantidade de mão de obra necessária. Por exemplo, se um plano possui 15.000 horas de trabalho e cada pessoa tem 1.600 horas para trabalhar em um ano, então se faz necessário 10 pessoas para suprir as demandas planejadas.

Fator de produtividade – Outra informação crucial é o fator de produtividade da mão de obra. Nem todo o tempo de um mantenedor é wrench time (tempo com a chave na mão, executando serviços), precisando ser levado em conta os tempos de deslocamento, de logística e atrasos administrativos. Calcular a produtividade dos membros da equipe é indispensável no momento de dimensionar a equipe.

 

# Função desempenhada da forma correta.

 

Não basta ter pessoal qualificado, bem dimensionado, se as funções não estiverem muito bem definidas, para que seja possível alocar as pessoas mais adequadas às funções mais adequadas.

A ferramenta mais poderosa de que a manutenção dispõe para padronizar atividades é a elaboração de procedimentos operacionais. Esses procedimentos visam detalhar a maneira como cada atividade deve ser realizada, passo a passo.

Para saber mais sobre a elaboração desse tipo de documento tão importante para a manutenção, clique no link abaixo e leia esse artigo completo:

https://engeteles.com.br/procedimentos-de-manutencao/#:~:text=Os%20procedimentos%20de%20manuten%C3%A7%C3%A3o%20s%C3%A3o,as%20tarefas%20que%20ser%C3%A3o%20executadas.

2º Fator de Sucesso do PCM - Processos

 

Os processos de manutenção, com o passar dos anos, foram tomando uma dimensão tão grande, que chegou a um ponto onde se tinha um volume exagerado de atividades e rotinas a serem realizadas. Essa maturidade, fez com que muitos gestores pensassem que quanto mais intervenções de manutenção fossem realizadas no ativo, melhor.

Hoje, sabemos que as coisas não funcionam exatamente assim. A manutenção é uma área de apoio, que tem o objetivo de amparar a produção, garantir a disponibilidade dos ativos para que eles produzam sempre mais com qualidade.

Por isso, a ideia de “Fazer mais intervenções com menos recursos” foi dando espaço para a ideia de “Fazer menos intervenções, bem dimensionadas e precisas, com ainda menos recursos”.

Para possibilitar essa nova filosofia, a manutenção precisa definir duas principais metodologias de maneira enxuta. 

Planejamento enxuto – Com base na criticidade dos equipamentos, cabe a manutenção definir apenas as ações que de fato vão agregar valor no ativo. Dentre um leque de possibildiades de ação, cabe a manutenção escolher as poucas intervenções que irão monitorar ou prevenir de fato as principais falhas.

Programação e aprovisionamento enxuto – Os recursos para execução das ações de manutenção devem ser adquiridos e controlados apenas a tempo de realizar as intervenções programadas. Excesso de materiais é dinheiro parado.

Controle enxuto – Mais vale controlar poucos indicadores de uma maneira extremamente eficiente do que manter uma carteira de indicadores imensas, cheia de informações erradas.

 

3º Fator de Sucesso do PCM - Ativos

 

Os ativos são os fatores de sucesso do PCM mais importantes. A manutenção existe para manter os ativos desempenhando bem suas funções, e a garantia desse bom desempenho é o que determina se um setor de manutenção está indo bem ou mal.

A palavra ativo, segundo a norma ISO 55.000, pode designar qualquer item, algo ou entidade que tem valor real ou potencial para uma organização. Este valor pode ser tangível ou intangível, financeiro ou não financeiro, e inclui a consideração de riscos e passivos. Ele pode ser positivo ou negativo, em diferentes estágios da vida do ativo.

No caso da manutenção, quando falamos ativos, estamos falando dos ativos físicos responsáveis por desempenhar algum papel no processo produtivo. Estamos falando então das instalações, das linhas, das máquinas e dos equipamentos.

Esses ativos, antes de serem mantidos, precisam ser devidamente cadastrados, hierarquizados e tagueados. Essa função irá construir uma base sólida para uma gestão de manutenção eficiente.

Se quiser saber mais sobre o tema cadastro e tagueamento de equipamentos, temos um artigo exclusivo sobre o tema no link abaixo:

Cadastro e Tagueamento de Ativos Industriais

 


# Saúde do Ativo

 

Vale destacar que a saúde dos ativos é o “suprasumo” dos 3 fatores de sucesso do PCM. Todo o gerenciamento de pessoas e de processos visa justamente garantir a manutenção eficiente da saúde dos ativos.

Podemos então dividir a saúde do ativo em duas premissas distintas, porém igualmente importantes. Essas premissas dizem respeito a porcentagem do tempo que um ativo fica disponível para executar sua função sempre que requerido pela operação, e também a probabilidade de um ativo estar ainda disponível no futuro para continuar desempenhando sua função. A isso, damos o nome de disponibilidade e confiabilidade, respectivamente.

Disponibilidade – Segundo a norma NBR 5462, disponibilidade é a capacidade de um item estar em condições de executar uma certa função em um dado instante ou durante um intervalo de tempo determinado, levando-se em conta os aspectos combinados de sua confiabilidade, mantenabilidade e suporte de manutenção, supondo que os recursos externos requeridos estejam assegurados. Para traduzirmos de uma modo mais simples, podemos dizer que todo o tempo que uma máquina está funcionando, pronta para operação, ela está disponível, e todo o tempo que ela está quebrada, em estado de pane, ela está indisponível.

Para calcular a disponibilidade de um ativo é muito simples, basta utilizar a média de tempo em que o ativo operou sem falhar (conhecida como MTBF) e a média de tempo que o ativo levou para ser reparado, sempre que falhou (conhecida como MTTR). A fórmula para fazer o cálculo consiste em:

 

 

Então, se com a aplicação da fórmula obtivemos uma disponibilidade de 98%, podemos entender que de todo um período, 98% dele o ativo esteve disponível para ser operado normalmente.

É importante ressaltar que a disponibilidade em questão é a disponibilidade inerente, que leve em conta apenas os períodos em que o ativo não esteve disponível devido a uma falha. 

Confiabilidade – A confiabilidade é um indicador um pouco diferente dos que são normalmente controlados pela manutenção, por um motivo bem específico. A confiabilidade está mais para uma previsão estatística com base em dados passados, do que um indicador que reflete em si o resultado obtido no passado.

Enquanto a disponibilidade, por exemplo, demonstra a porcentagem de tempo que um ativo ficou disponível (no passado), a confiabilidade vislumbra entender a probabilidade de um item não falhar (no futuro). 

É claro que, para poder prever com alguma assertividade o futuro, é preciso observar o comportamento dos ativos no passado.

Ainda contando com a NBR 5462, entendemos então que a confiabilidade é a “probabilidade de um item continuar operando, sem falha, em um determinado período futuro”.

Para entender isso de maneira simplista, quando levamos o carro no mecânico, ele observa uma peça que demonstra grande desgaste e afirma “essa peça aqui tem 50% de chance de quebrar nos próximos 3 meses”. Apesar de não haver embasamento para tal afirmação, a ideia da confiabilidade é exatamente essa, estimar a probabilidade de um item falhar em um determinado período.

Obviamente, em uma indústria, com equipamentos que muitas vezes não podem tolerar a falha, não é possível estimar a confiabilidade utilizando apenas o famoso “Achismo”. É preciso utilizar metodologias matemáticas que possibilitem atingir resultados mais assertivos.

Uma forma de calcular a confiabilidade dos ativos é através de:

 

Vale destacar que a confiabilidade não precisa necessariamente ser controlada para todos os ativos. Alguns ativos não precisam ser extremamente confiáveis, sendo mais barato e viável para a manutenção fazer o reparo caso uma falha ocorra.

Se quiser saber quando optar por uma estratégia corretiva na manutenção, para além dos 3 fatores de sucesso do PCM, preparamos um vídeo exclusivo sobre o tema. Basta clicar no link abaixo para assistir:

 


# Desempenho do Ativo

 

Além da saúde do ativo, para ter êxito no controle dos 3 fatores de sucesso do PCM, é importante também monitorar o desempenho do ativo.

Podemos dividir então o desempenho desse ativo em 3 categorias distintas:

Desempenho do custo de manutenção do ativo – Não adianta garantir a disponibilidade do equipamento a qualquer custo. Para que a manutenção cumpra seu papel, se faz necessário controlar os custos para que haja um balanço entre disponibilidade máxima a um custo mínimo. Manutenções que se preocupam com isso se destacam muito na empresa.

Eficiência do ativo – Cabe a manutenção também, não apenas manter o ativo disponível, mas também produzindo de maneira eficiente. Intervenções que visam atualizar uma máquina (retrofit), regular ou até mesmo torná-la mais produtiva, sempre são bem vindas.

Segurança do ativo – Mais importante do que um ativo disponível, é um ativo seguro, afinal, tudo que nós não queremos de uma máquina é que ela machuque (ou ainda pior) o seu operador. Intervenções realizadas para manter as máquinas seguranças (mesmo que ainda estejam produzindo), ou até mesmo atualizações para adequar as máquinas as NR’s, são tarefas chaves de um PCM que se destaca.

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Danilo Romão

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