julho 09 2018 0Comment

Diagrama de Pareto na Manutenção: Uma ferramenta poderosa!

O Diagrama de Pareto (também chamado de Análise de Pareto) é uma metodologia usada para quantificar e conflitar as causas de um evento com o seu determinado efeito. 

Usa-se o Diagrama de Pareto na manutenção para conflitar as causas de falhas com o número de paradas de um equipamento. Ou seja, é possível enxergar quais são as causas que mais impactam na disponibilidade e confiabilidade do equipamento. 

O diagrama de Pareto é uma representação gráfica dos problemas do processo na ordem de classificação do mais freqüente ao o menos freqüente. Ele ilustra a frequência dos tipos de falha ou defeito.

Usando a análise de Pareto, você pode decidir qual é o evento que necessita de prioridade para ser solucionado.

O exemplo abaixo mostra o diagrama de Pareto aplicado para estratificar as causas de falhas em rolamentos em uma determinada indústria.

Nota-se que que o número total de ocorrências foi de 2455 falhas em rolamentos e que a causa de falha merece prioridade na resolução é a “Falta de Lubrificação”, que representa 40% das falhas, com 945 ocorrências.


O diagrama de Pareto permite ao gestor de manutenção que tome decisões estratégicas com base em dados históricos, priorizando sempre as causas de falhas que tem maior representatividade e peso no número total de ocorrências. 

O que é Diagrama de Pareto?

princípio de pareto

Também chamado de princípio de Pareto, desenvolvido por Vilfredo Pareto, economista e sociólogo italiano que conduziu um estudo na Europa no início de 1900 sobre riqueza e pobreza. Ele descobriu que a riqueza estava concentrada nas mãos dos poucos e a pobreza nas mãos de muitos.

O princípio de Pareto é baseado no distribuição desigual das coisas no universo. 

Durante o estudo, Vilfredo Pareto chegou à conclusão que 80% da riqueza estava concentrada em 20% da população. 

No final dos anos 1940, o engenheiro e consultor de administração Joseph M. Juran sugeriu o princípio e nomeou-o em homenagem ao economista italiano Vilfredo Pareto, que observou que 80% da renda na Itália correspondia a 20% da população. Pareto depois realizou pesquisas em alguns outros países e descobriu, para sua surpresa, que uma distribuição similar se aplicava.

A regra básica subjacente ao princípio de Pareto é que, em quase todos os casos, 80% do total dos problemas incorridos são causados ​​por 20% das causas do problema. Portanto, concentrando-se no principais problemas primeiro, é possível eliminar a maioria dos problemas.

Podemos aplicar a regra 80/20 a quase tudo:

  • 80% das reclamações de clientes são provenientes de 20% dos seus produtos e serviços.
  • 80% dos atrasos no cronograma resultam de 20% das possíveis causas dos atrasos.
  • 20% dos seus produtos e serviços respondem por 80% do seu lucro.
  • 20% da sua força de vendas produz 80% das receitas da sua empresa.
  • 20% dos defeitos nos sistemas causam 80% dos seus problemas.

PCM PLANEJAMENTO E CONTROLE Da MANUTENÇÃO

Como fazer o Diagrama de Pareto?

Para aplicar o diagrama de Pareto na manutenção, alguns softwares de gestão da manutenção conseguem gerar o gráfico de Pareto com poucos cliques. Mas também é possível fazer o diagrama de Pareto no Excel, caso você não tenha um software que gere o gráfico para você.

Antes de mostrar o passo a passo para fazer o diagrama de Pareto no Excel, é importante que você tenha levantado as seguintes informações:

  1. Número de Falhas de um determinado equipamento, sistema, linha de produção ou fábrica;
  2. Número de falhas estratificado por causas das falhas;
  3. É uma boa prática ter no máximo 10 categorias de causas de falhas

Passo 1: Coletar os dados e categorizar

O primeiro passo para elaborar o diagrama de Pareto é coletar os dados das falhas, categoriza-los e organiza-los em quatro colunas. Sendo elas:

  1. Causa da Falha;
  2. Número de Ocorrências;
  3. Porcentagem que aquelas ocorrências representam no total;
  4. Porcentagem acumulada.

diagrama de pareto no excel

Na primeira coluna, coloque as categorias das causas das falhas; Na segunda coluna, coloque o número das respectivas ocorrências; Na terceira coluna, a porcentagem do quanto aquela causa de falha representa no total e na quarta coluna coloque a porcentagem acumulada (a soma daquela porcentagem com as anteriores).

Após lançar todas as informações, organize o número de ocorrências do maior para o menor. 

Passo 2: Elaborar a primeira parte do gráfico de Pareto

Para começar a criar seu Gráfico de Pareto no Excel, selecione toda a tabela criada, conforme mostrado na imagem abaixo. (Mantenha pressionada a tecla Ctrl para ajudá-lo a selecionar as colunas.) Deixe de fora apenas a linha que representa os totais:

Após selecionar os dados, é hora de criar um gráfico de barras. Clique na guia “Inserir” no Excel, logo após no botão” Coluna” e, em seguida, escolha “Coluna 2” na categoria “Coluna Agrupada”. Conforme mostra abaixo:

O resultado será um gráfico parecido com esse: 

 

Passo 3: Elaborar a segunda parte do gráfico de Pareto

Com o gráfico de colunas já pronto, devemos adicionar a curva que dará origem ao gráfico de Pareto.

Clique com o botão direito do mouse em qualquer uma das barras “Percentual Cumulativo” no gráfico, selecione “Alterar Série Tipo de gráfico” e selecione “Linha” conforme mostrado abaixo:

Passo 4: Adicionar o segundo eixo

O gráfico agora deve parecer um gráfico de Pareto, mas ainda terá apenas um eixo. Agora é hora para consertar isso. Faça isso clicando com o botão direito do mouse na linha “Total Acumulado” e escolhendo “Formatar Série de Dados”. Agora selecione o “Eixo Secundário” como mostrado abaixo:

como fazer diagrama de pareto no excel

O gráfico de Pareto já está pronto!

Baixe a planilha do Diagrama de Pareto usada como exemplo nesse artigo através do botão abaixo:

Detalhes que fazer a diferença na hora de aplicar o Diagrama de Pareto na Manutenção

O digrama de Pareto é uma ferramenta que tem um único objetivo: organizar as informações de ocorrências de determinados eventos. A ferramenta por si só não faz nada, apenas traz a tona a informação. 

É necessário que o gestor (ou gestores) de manutenção que está por trás da análise, conheça alguns conceitos importantes antes de tomar alguma decisão. 

A análise de Pareto é uma ferramenta simples. Mas existem uma série de fatores que devem ser levados em consideração antes de aplica-la. Seguem abaixo algumas provocações:

O que será considerado falha? 

Serão quantificadas as falhas potenciais ou apenas as falhas funcionais

A Falha Potencial é o momento em que a falha nasce no ativo. Ela ainda é uma falha em estágio inicial, ela não compromete por completo o funcionamento do equipamento, mas diminui sua performance a cada minuto que se passa. Muitos ativos não falham abruptamente, mas dão algum aviso ou sinal do fato de que eles estão prestes a falhar. 

Falha funcional é a incapacidade de um sistema para atender a um padrão de desempenho especificado em projeto. Uma completa perda de função é claramente uma falha funcional. No entanto, uma falha funcional também inclui a incapacidade de funcionar no nível de desempenho que foi especificado como satisfatório. 

Veja mais assistindo o vídeo sobre Curva PF:

Como serão as tratativa para as causas de falhas encontradas?

O objetivo do diagrama de Pareto é criar categorias de falhas para facilitar a encontrar as prioridades. Com o diagrama em mão, deve-se tomar o caminho reverso: desagrupar as falhas e trata-las como únicas.

Em um processo de análise de falhas, cada falha deve ser encarada como única. Cada falha deve ter uma análise e cada análise deve resultar em um plano de ação.  Cada plano de ação deve ter uma meta e essa meta deve ser elaborada com base em uma metodologia.

Deve-se incluir indicadores para monitorar a eficiência do trabalho.

Um erro comum em planos de ação é a falta de métricas que evidenciam se o caminho está correto ou não. Existem  indicadores de manutenção específicos para monitorar o desempenho de máquinas, sistemas e equipamentos, quanto às falhas. Alguns são:

 


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jhonata

Jhonata Teles é profissional certificado internacionalmente pela SMRP – Society Maintenance & Reliability Professionals, na categoria CMRP – Certifield Maintenance & Reliability Professional. Especialista em Gestão, Planejamento e Controle de Manutenção, Analista de Vibração com certificação Nível 2 pela FUPAI e certificação internacional pela Instituição Canadense Mobius Institute, especialista em Lubrificação Industrial com certificações internacionais MLT-1 e MLA-1 pelo ICML – International Council of Machinery Lubrication. Possui mais de 12 anos de experiência em indústrias de grande porte, sempre dedicados a Gestão da Manutenção, PCM e projetos de Confiabilidade Industrial. Atuou como Analista de Vibração, Consultor Técnico, Supervisor de PCM, Coordenador e Gerente de Manutenção em indústrias dos segmentos alimentício, higiene e limpeza, químico, metalúrgico e cimenteiro. Autor dos livros e métodos de capacitação: Planejamento e Controle da Manutenção DESCOMPLICADO ®, Bíblia do RCM e Gestão de Paradas de Manutenção. Como Diretor de Operações da ENGETELES já liderou mais de 300 projetos de consultoria no Brasil e em seis países, além de ter capacitado mais de 10.000 profissionais na área de Gestão da Manutenção.